Frustração e limite em crianças.


Conviver com frustrações é uma habilidade inerente à condição humana e desenvolver tal habilidade é necessário para um bom funcionamento mental do indivíduo.  Não ser convidado para uma festa, ser  mal classificado em um concurso público, deixar de ter aquele carro que é exibido na televisão... tudo isso pode gerar algum nível de sofrimento e frustração.
Ainda que lutemos para atingirmos nossos sonhos, alguns deles vão se desfacelar. E é normal do ser humano se satisfazer suas conquistas presentes, se habituar a ela e logo, planejar outras conquistas futuras. 
Sobreviver às frustrações ou passar por ela sem tanto sofrimento também é uma habilidade a ser aprendida e está relacionada com a habilidade de lidar com  limites.
Uma placa de velocidade, o montante de renda mensal... são exemplos de limites da vida cotidiana que precisamos respeitar para nosso próprio bem- desrespeitar a velocidade pode implicar em multa ou até um grave acidente de trânsito; ultrapassar o valor dos gastos mensais pode significar passar um limite muito caro- o do cartão de crédito. Nossa boa qualidade de vida, em parte, está relacionada com a capacidade de lidarmos com nossas frustrações, respeitando os limites, de maneira a nos proteger de situações que poderão ser ainda mais desprazerosas.
Faz parte do papel de pais ensinarem as crianças a respeitar limites e conviver com frustrações. No entanto, muitas vezes, alguns pais tem uma dificuldade enorme de estabelecer limites e quando o fazem, se sente culpados como se estivessem inflingindo um castigo para a criança. Ou ainda, retiram o limite diante às argumentações ou artimanhas infantis, confundindo e desensinando.  
Os adultos também argumentam com os policiais que lhes aplicam multas nas rodovias. “Sabe o que é, seu guarda, eu estava correndo porque estava muito apertada para ir ao banheiro”(esse relato é verídico) - mas não adiantou. Assim como não adianta espernear com o gerente do banco para abaixar os irrazoáveis juros do cartão de crédito.
É preciso que os pais estabeleçam os limites necessários, explicando os motivos para as crianças, de maneira sucinta e em linguagem que elas entendam, ainda que minimamente. E que o façam de maneira consistente: agora não pode, depois também não.
Vejo pais que educam seus filhos em uma classe social diferente da deles: os filhos tem as melhores roupas, os mais novos equipamentos, que são incompatíveis com a renda da família. O adolescente consegue o aparelho eletrônico de última geração e a família não tem a sonhada máquina de lavar roupas, ainda que custem o mesmo valor. “Tive que comprar!”. Não, não teve. Foi uma opção.
Colocar limites às crianças pode não ser uma tarefa fácil, nem agradável. Mas se os pais não ensinarem as crianças – de maneira carinhosa, desde cedo- a vida se encarregará de fazer isso - sem carinho nem compaixão.